sexta-feira, maio 18, 2007

"O Corpo Humano como nunca o viu…”

É o título de uma exposição que está, neste momento, a decorrer em Lisboa, na Rua da Escola Politécnica, aquela rua onde tantas vezes visitei o museu de História Natural...
Apesar de estar a decorrer uma série de campanhas de promoção de bilhetes para a exposição, não pode deixar de se sublinhar que a visita à mesma acarreta preços proibitivos, com os bilhetes a custarem cerca de vinte euros cada. A questão agora é simples: será que vale a pena?... E a resposta é também simples: vale a pena para quem estuda anatomia, não vale a pena para quem já estudou anatomia. Ou seja, esta é uma exposição interessante para os iniciados nos estudos anatómicos, principalmente para todos aqueles que queiram apropriar-se de uma visão realista e proporcionada das estruturas anatómicas, mas é uma exposição um tanto infantil para todos aqueles que já têm experiência de estudo de manuais anatómicos, principalmente se, como é o meu caso, estudaram por livros de cadáveres.
A exposição é um tanto infantil, possuindo informações extremamente lineares para quem é profissional de saúde. Por outro lado, podemos considerar que é uma exposição obrigatória para todos os interessados, principalmente aqueles curiosos que não são da área.
Uma consideração a ter em conta: a nónima do que é mostrado. Talvez a parte mais infeliz da exposição corresponde aos termos anatómicos utilizados. Infelizmente não são termos portugueses, mas sim brasileiros. Por exemplo, o “vasto interno do quadricípete” é designado por “vasto medial do quadríceps”, e assim por diante. Não tenho nada contra os termos brasileiros, ainda mais porque estes são, nada mais nada menos, que a tradução portuguesa dos termos americanos. Mas os termos anatómicos estão anos luz mais adaptados à nossa cultura tal como aparecem, por exemplo, nos manuais “Anatomia humana da...” de Esperança Pina.

1 comentário:

Daniela disse...

Discordo!
Ponto 1: "vale a pena para quem estuda anatomia, não vale a pena para quem já estudou anatomia".
-Para um verdadeiro amante do corpo humano é de facto uma oportunidade única. Pois por mais que tenhamos estudado por “livros de cadáveres”, ou tenhamos um esqueleto real, bastante completo, em casa (como foi o meu caso), a perspectiva é diferente....na minha humilde opinião.
Considero uma oportunidade única nem que seja pelo facto de apreciar e valorizar o trabalho dos homens que dissecaram estes corpos. Quantos anos de dedicação, de estudo, de aprendizagem foram necessários para igualar esta perfeição? Quantos cadáveres foram necessários, para abeirar esta mestria?

Ponto 2: “é uma exposição um tanto infantil para todos aqueles que já têm experiência de estudo de manuais anatómicos”.
- Como deve imaginar, é difícil, se não mesmo impossível agradar a gregos e a troianos. Esta exposição foi, claramente, desenhada para abraçar pessoas dos 8 aos 80 anos, de profissionais de saúde (médicos, fisioterapeutas, etc…) aos varredores de rua.

Ponto 3: “a parte mais infeliz da exposição corresponde aos termos anatómicos utilizados”.
- Tudo bem!!! Sim senhor, estamos em Portugal, falemos português de Portugal. Mas não será é um preciosismo da sua parte? Deveria ter relaxado e degustado o momento de beleza…..

Prezo bastante o seu blogg….é das poucas pessoas que não tem medo de “dar a cara” e usufruir do direito que todos nós temos….. “Liberdade de Expressão”.
Continuação de bom trabalho!!!!

Daniela, Fisioterapeuta