domingo, novembro 30, 2008

Dia do lançamento



Na sexta-feira, dia 28, foi o lançamento formal do meu livro no CCR. Em boa verdade devo dizer que pouco dei por tal evento, pois, não sendo pessoa conhecida ou mediática, qualquer tipo de festividade por mim organizada cairá em “saco roto”. Mas, não obstante a existência de um conjunto de expectativas purgadas, posso dizer que fiquei bastante impressionado e emocionado com certas “inesperidades” no dia em questão.
Pois é verdade que, neste mesmo dia, recebi elogios de “ser corajoso”, assim como de ser um “verdadeiro escritor”. Alguns colegas juntaram-se e compraram um bolo, com o qual quiseram marcar o “meu dia”. Tal emocionou-me! E, na hora do lançamento, lá estiveram pessoas “obrigatórias” e outras inesperadas, pessoas amigas que foram lá dar o seu apoio, e marcar uma presença absolutamente melodiosa. A todas elas tenho a agradecer a sua presença.
Também tenho a agradecer a todas aquelas pessoas que seguem o meu blog e que reconhecem, diariamente, a importância do meu trabalho. Amigos, colegas e pessoas especiais de todos os níveis e tipos. Sei que o sucesso do livro dependerá totalmente destas pessoas e da sua disposição para divulgarem a sua insurgência.
Na realidade, sei que estes mesmos “colegas” serão mais “afectos” ao meu trabalho que muitas outras pessoas que convivem comigo diariamente. Não é incomum sentir o desprezo de algumas pessoas profundamente ineptas, daquelas que nada fizeram para evoluir na vida, incluindo algumas que trabalham comigo no dia a dia. Também não é incomum sentir o “medo da rejeição” por parte de pais e amigos, muitos destes desimportancionalizando o meu trabalho, minimizando o conjunto das mundividências que encerram as suas várias “latitudes”. É pena! Mas é a vida! E, perante uma maior ou menor aceitação, não deixarei de exprimir trabalho e angústia, ora mais árduos ora menos acerbos.
Não deixo, no entanto, de sentir que este livro que agora sai, e que estará nas livrarias em Janeiro de 2009, fecha uma época da minha vida. E não sei se este é um único livro ou se é o primeiro de vários outros projectos. Só quem escreve e publica é que sabe o quão difícil é obter a mera publicação e, mais do que isso, a consagração. Este mundo das publicações, principalmente as científicas/técnicas/especializadas, é de uma frieza desesperada. Todos os dias pergunto-me se vale a pena continuar a publicar. Relativamente a artigos em revistas de banca, posso dizer que o critério de publicação mais importante é a “vendabilidade” do artigo, a qual será tanto maior quanto mais “mediático” for o autor. Enfim!... Tudo para dizer que, dia a dia, perco muitas vezes a vontade de continuar a escrever. Sinto que tanto a escrita quanto todas as minhas “lutas” não passam de uma batalha solitária, condenada à reclusão e à derrota.
Por outro lado, visto que a esperança é infinda, sinto uma espécie de angústia ou “falha narcísica” que me faz lutar, que me faz continuar a puxar pelo reconhecimento do meu trabalho. É uma ilusão, bem sei! Pois tal busca de reconhecimento não passa de mera estultícia, recheada de fragilidade interior, acantonada pela improficuidade de uma derrota infalível. Que a vida não é justa todos sabemos, mas senti-lo diariamente na pele pode assumir proporções de verdadeiro bojo.
Mas, não obstante tudo o que ficou dito, o apoio e presença dos meus amigos no dia do lançamento, assim como as palavras de todos aqueles que por aí estão a apoiar-me, dão-me força para continuar e fazem surgir em mim a possibilidade de uma dúvida da “falta de esperança”. Que eles estejam sempre presentes é o que desejo! Visto que nem Associação Portuguesa de Fisioterapeutas nem qualquer órgão de mediania querem sequer ter um vislumbre do meu trabalho, ao menos que os amigos, que no fundo são eles que valem, ajudem na aceitação de algo que tanto me importa. Bem hajam!


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sábado, novembro 22, 2008

Lançamento de um livro (II)

A propósito do lançamento do meu livro na próxima sexta-feira, dia 28 de Novembro, posso dizer que não me sinto propriamente muito satisfeito com o facto de contribuir para mais um trabalho que, provavelmente, acabará por passar despercebido. Realmente, tendo em conta que semanalmente são publicadas várias centenas de livros, que género de contributo posso eu dar para esse “terceiro mundo de Popper”? Unicamente a minha visão particular das coisas, especificamente da forma como os princípios da Reeducação Postural podem significar uma mudança cabal no paradigma da “actividade física”.
Claro que não deixa de ser quase desnecessário afirmar que o meu livro não é uma obra literária. Nem eu tentaria fazer tal coisa. Este mundo teve os seus grandes autores, muitos deles esquecidos no tempo; a actualidade é rica em certas complexificações literárias (não são Agustina Bessa Luís ou António Lobo Antunes bastante mais difíceis de se ler que Eça de Queirós ou Gil Vicente?...) e o futuro garante uma prolixidade mais ou menos coesa de livros e manuscritos. Portanto jamais tentarei realizar ficção romanesca.
Por outro lado, não deixo de me sentir particularmente próximo de um tipo de escrita que tem sido designada de “ensaística”, principalmente aquela que reporta à complexidade hermenêutica das coisas “simples” que nos envolvem. Nesse contexto, fico tentado, cada vez mais, a afirmar que este nosso mundo não passa de um lago de ilusões, no seio do qual o Relativo parece ganhar cada vez mais a corrida da “Realidade”. Este mundo que tendemos a desenhar como cheio de fronteiras e limites é, na realidade, cheio de descontinuidades. Daí que quando alguém afirma que determinada realidade se inicia quando outra se finaliza, ou quando alguém tenta absolutizar determinada realidade, torço o nariz e sinto um certo desconforto. Desde a afirmação de que “o Pilates não tem efeitos secundários” até à divisão quase monocórdica das teorias do pensamento em clássicas, medievais, modernas e contemporâneas... tudo me leva a crer, cada vez mais, que a Subjectividade e a Incerteza são o verdadeiro Absoluto.
É com este toque de Incerteza conceptual que eu gostaria que as pessoas enfrentassem qualquer paradigma de trabalho em Fisioterapia (assim como a leitura do meu livro). Afinal de contas, se formos a ver, não há técnica ou método que constituam panaceia. Não há nada que seja absolutamente “seguro” para alguém, e nada que seja bom para um grupo de indivíduos. E é no pleno da incerteza que cavalgo na dimensão da Teoria que a própria Reeducação Postural constitui. Assim se aceitem os paradigmas, as diversas dimensões das diversas mundividências contextuais que nos acercam!...