sexta-feira, outubro 27, 2006

Dificuldades na pesquisa e investigação

É indubitável que o desenvolvimento da fisioterapia está dependente do desenvolvimento da investigação. E esta assenta na livre pesquisa e na facilitação do acesso às fontes bibliográficas. É incrível como, por vezes, é difícil executar uma simples pesquisa de um artigo simples. Mas mais incrível é encontrarmos tanta investigação inútil, perdida nas bibliotecas de escolas e universidades, no formato de monografias ou teses de pós-graduação.
Porquê “informação inútil”? Porque toda a investigação não publicada é investigação desconhecida e não oficializada. E quase todas as monografias e teses permanecem por publicar, e isto se as mesmas contém estudos verdadeiramente concluídos.
Recentemente surgiu uma necessidade fundamental de obter um instrumento de avaliação das dores lombares, o “Oswestry Disability Index”. Através de pesquisa, percebi que o questionário tinha sido adaptado à realidade portuguesa através de uma monografia de final de curso da Escola Superior de Saúde do Alcoitão. Como esta escola é para mim uma espécie de “mãe educativa”, visto que foi lá que me formei, dirigi-me em direcção à escola e à biblioteca. Mas rapidamente percebi que, como antigo aluno, tenho o mesmo estatuto que qualquer outra pessoa que nunca tenha estado na escola. Ou seja, tive de pagar uma taxa de utilização da biblioteca como “utilizador externo”.
“Utilizador externo” é uma fraca designação a quem tanto pagou e estudou na referida instituição... instituição que deixa os alunos largados à sua sorte, sem qualquer apoio no que concerne às pesquisas. E eu que pensava que a formação contínua incluía a pesquisa mantida ao longo da vida. Seria de esperar que a “minha” escola me apoiasse nesse processo, mas parece que “antigo aluno” não tem de ser apoiado.
Mas a história não fica por aqui. Quando solicitada a monografia, recebi a informação de que a mesma não podia ser fotocopiada. Só podíamos fotocopiar o resumo, o índice e a bibliografia. Mas que raio de regra tão imbecil! E se eu quiser orientar a minha pesquisa a partir dos passos da outra pessoa? E se eu quiser obter os dados metodológicos do outro indivíduo? E se eu precisar de fotocopiar um instrumento de modo a utilizá-lo mais tarde com determinada população? Sei que hei-de necessitar de obter autorização para utilizar o referido instrumento, apesar de não concordar com tal, pois, para mim, a partir do momento em que determinado instrumento de estudo foi validado, e a partir do momento em que o mesmo existe ele passa a pertencer ao “conhecimento global e objectivo”, sendo que não é pertença de outra pessoa. Por que havemos de temer a utilização livre dos nossos instrumentos? Mesmo que autorizada a sua utilização, ela não será efectuada necessariamente com cuidado e ética...
Por todas estas razões, fotocopiei o referido instrumento, nem que seja para que possa basear-me nele para construir algo meu, evitando obviamente qualquer tipo de plágio. Quando a responsável pela biblioteca reparou em tal acto, disse que não podia levar tais folhas. Eis que, quando tive oportunidade, peguei nas folhas – todas elas – e fui pagar as fotocópias. Surripiei-as sim. Roubei-as, não, pois paguei-as. Quando a responsável pela biblioteca veio atrás de mim para obter as folhas, não a deixei fazer tal coisa e disse que se quisesse chamasse a polícia. Coisa ridícula de se fazer, claro!... E claro que não me considero criminoso. Tudo isto poderia ter sido evitado até porque a pessoa que validou o questionário (consegui obter o contacto dela através da APF) acedeu em colaborar. Mas digo uma verdade. Se não acedesse em colaborar, utilizaria o instrumento à mesma. Referia a autora da validação e tudo o mais, mas não deixaria de utilizar o questionário...

3 comentários:

Anónimo disse...

Caro Colega Luís Coelho

Em resposta ao seu e-mail de 28/10/2006, e agradecendo desde já a amabilidade de me dar a conhecer o teor da exposição que colocou no seu “blog”, gostaria de começar por informar o seguinte:

1 - Sobre o regulamento do Centro de Recursos Educativos – Biblioteca

O regulamento deste serviço da ESSA foi aprovado pelo Conselho Pedagógico, órgão com a participação de alunos e professores. A sua revisão é efectuada anualmente, de forma a vigorar durante o ano lectivo seguinte.

2 - Em relação à expressão “utilizador externo”

A designação de utilizador externo é colocada por oposição à de utilizador interno aplicada à ESSA e aos restantes serviços da SCML, que é Entidade Instituidora da ESSA.

Na realidade existe uma diferenciação positiva, e expressa, dos antigos alunos, mas de facto essa referência explícita só aparece quando se indica a redução do pagamento.

Admito que será de considerar uma melhor explicitação desta diferenciação a nível da caracterização dos utilizadores.

O assunto será analisado aquando da revisão anual do Regulamento, para vigorar no próximo ano lectivo.

3 - Em relação à introdução da taxa de utilização

A introdução da taxa de utilização tem a ver, entre outros, com os seguintes factos e princípios:
· Tratar-se de um serviço efectivamente prestado, com um forte investimento orçamental, que se entende não dever ser suportado apenas pelos alunos em frequência e pela SCML, mas também pelos outros utilizadores;
· Ser também essa a prática ao nível de outras instituições de ensino, onde os nossos alunos são igualmente penalizados.
· Ter sido considerado necessário introduzir factores de moderação no acesso a utilizadores externos, para preservar as condições de utilização por parte dos alunos e docentes, face à exiguidade das instalações, e ao aumento do número de alunos em cursos de mestrado e pós graduações.

A taxa de utilização diária é igual (2,5 €) para todos os utilizadores externos, mas a taxa de utilização anual, para antigos alunos, tem uma redução de 40% (30 € em vez de 50€), pelo que o tratamento não é exactamente igual, como referido.

4 – Quanto ao acesso às monografias

Há já alguns anos que o Conselho Pedagógico da ESSA aprovou o princípio de limitar o acesso directo às monografias realizadas pelos seus alunos.

Esta regra foi aprovada, por unanimidade, pelos alunos e professores que compõem o Conselho Pedagógico, e a sua introdução, resultante de diversas queixas de plágio e de uso abusivo, por parte de alunos da ESSA e de outras Escolas, vai no sentido de se melhorar o respeito pelos direitos de autor e de preservar a propriedade intelectual.

O acesso à globalidade da obra/informação não foi vedado.

O que se limitou foi o acesso livre e directo, passando a haver um registo de quem teve acesso à obra em causa, e um maior controlo sobre as fotocópias, como exige a legislação sobre esta matéria.

O facto de não poder fotocopiar toda a obra não invalida o acesso à leitura nem a possibilidade de recolha de notas sobre o conteúdo integral do documento.

De facto, sempre que o autor não tenha dado autorização expressa para que a monografia possa ser integralmente fotocopiada, considerou-se que apenas se poderia autorizar a fotocópia do resumo, do índice e da bibliografia.

No caso de o leitor querer entrar em contacto com o autor, no sentido de requerer a autorização para fotocopiar outras partes da obra ou mesmo a sua totalidade, os funcionários do CRE têm instruções para desenvolverem os esforços para estabelecer esse contacto através da ESSA.


Após estas informações de enquadramento, gostaria agora me centrar no seu comportamento, de acordo com o que descreve, e sem querer entrar em juízos de valor sobre as razões que apresenta.

Na realidade, infringiu deliberadamente uma regra, definida pelo órgão competente da Escola, e criou uma situação conflitual, factos com os quais não pode contar com o meu acordo.

Segundo o que relata, a responsável pela biblioteca agiu dentro do que está regulamentado.

No final da sua exposição refere que
“Tudo isto poderia ter sido evitado até porque a pessoa que validou o questionário (consegui obter o contacto dela através da APF) acedeu em colaborar”.

E concordo plenamente consigo.

Na realidade, para evitar o sucedido, bastava que tivesse sido respeitada a regra em causa - entrar em contacto com a autora do estudo, e pedir-lhe autorização para copiar todo o material que achasse necessário.

Os dados da APF estarão eventualmente mais actualizados, mas a ESSA poderia ter desenvolvido os esforços para solicitar essa autorização.

Agradeço mais uma vez a sua exposição, informando que esta minha resposta não a exclui de futura análise.
Durante o período anual de revisão do regulamento do Centro de Recursos Educativos, ela será de novo analisada pelo Conselho Pedagógico, em conjunto com outros contributos que nos irão chegando ao longo do ano.

Durante o presente ano lectivo, face ao regulamento em vigor, gostaria que compreendesse que os nossos serviços terão que zelar pelo seu cumprimento.

Como forma de nos ajudar a ultrapassar esta situação, dentro do actual enquadramento, gostaria que considerasse a possibilidade de enviar à biblioteca a sua autorização formal para livre consulta e fotocópia da sua monografia, e caso o entenda pertinente utilizasse o seu blog para incentivar outros a fazerem o mesmo.

Gostaria de aproveitar esta oportunidade para agradecer a forma elogiosa como se referiu à ESSA, enquanto instituição de referência, e de lhe reafirmar que a Escola, e em particular o corpo docente do Departamento de Fisioterapia, estarão sempre disponíveis, dentro das suas limitações, para ajudar os seus antigos alunos nos respectivos trajectos de desenvolvimento profissional contínuo, e em particular para os ajudarem a ultrapassar as dificuldades que possam encontrar no âmbito da pesquisa bibliográfica e investigação.

No que se refere concretamente à disponibilização de informação sistematizada sobre instrumentos de medida utilizáveis pelos Fisioterapeutas, o Departamento de Fisioterapia está a desenvolver um projecto, em parceria com a Associação Portuguesa de Fisioterapeutas, no sentido de criar uma base de dados actualizada e credível.

Com os melhores cumprimentos,


António Manuel Fernandes Lopes
Vogal do Conselho Directivo da ESSA
com o pelouro do Centro de Recursos Educativos


Alcoitão, 14 de Novembro de 2006

Anónimo disse...

Tenho uma empresa de realização de monografias, atuando já há três anos e sei como você se sente.

Aposto que, ao ler a frase anterior, você pensou em uma equipe preparada para burlar as entidades acadêmicas e prontas para plagiar e atuar ilegalmente no campo educacional.

Provavelmente é exatamente assim que as universidades olham os alunos que buscam se orientar a partir de monografias com temas similares ou complementares.

No entanto, apesar do preconceito, buscamos, na realização de uma monografia acorde com o tema necessário, oferecer as bases de sustentação para que o aluno realize sua própria monografia, até mesmo porque um orientador sério, em dez minutos de conversa, é capaz de detectar qualquer tentativa de engodo. Protegemos nosso material de modo a evitar que o aluno entregue nossa monografia como sendo a dele e sempre buscamos cultivar a interação do aluno com seu orientador, de modo a que o mesmo possa estreitar os laços com a instituição e, assim, permita ter mais sucesso com a monografia construída pelo mesmo.

Da mesma forma, compartilho com você a ânsia pela liberação do conhecimento. Até mesmo porque quando uma pesquisa monográfica se encontra em livre acesso, torna-se mais difícil de ser plagiada. Por isso mesmo, sou partidário da idéia da publicação online pública de todas as monografias realizadas nas instituições brasileiras, a exemplo do que ocorre com a maioria das monografias da Universidade Federal de Santa Catarina.

Luiz Gustavo
http://www.monografiaad.com.br

Michele disse...

Trabalho na área pretando auxilio aos alunos que tem dificuldades em se basera sozinhos. Para que possam encontrar a ajuda nece´ssária a sua dificuldade e não vejo mal nisso.


Michele
http://www.webmonografias.com.br/